>Leia primeiro, o título vem depois

>Recentemente li uma reportagem interessantíssima:

Num estudo feito na Clinical Institute of Enthero-Cerebral Cortex Anastomosis , departamento pertencente ao “Massachussets Institute of Technology, em Cleveland”, o professor Dr, Moses H. Horwitz e seu colega de pós-doutorado, o também professor Dr. Lawrence Fine, chegaram a conclusão de que a assombrosa porcentagem de pelo menos 75.4% da população mundial (a pesquisa foi feita durante os anos de 2008-2009) já teve contato com monóxido de di-hidrogênio. Este composto químico altamente perigoso, abundante na era industrializada, é provalmente o elemento químico mais importante do planeta, uma vez que mais de 96.2% das pessoas que tiveram cancer, tiveram contato com este elemento no mês anterior ao aparecimento da doença. Grande parte dos cientistas atualmente já confirmaram as conclusões dessa pesquisa. Foram feitos testes em cobaias e 89.43% delas morreram pela simples imersão em um container com este elemento por meros 60 segundos.

É realmente assombroso…

Assombroso como o ser humano tem a inerente vontade de acreditar em qualquer coisa que esteja escrita (“Se está na internet, deve ser verdade…”, “veio pelo email de um amigo muito sério”…). Em maior ou menor grau, é normal darmos crédito a alguma coisa escrita como sendo verdade, por inúmeros motivos. Alguns deles:

1) Preguiça de comprovar o que foi escrito (mesmo nos dias do Google, que é um verdadeiro oráculo: você pode escrever a pergunta do jeito que quiser, e sempre vai encontrar algo relevante).
2) Estatísticas podem ser e muitas vezes são usadas para enganar, de propósito ou não.
3) Números quebrados são mais críveis. 75.4% é muito mais convincente do que 70% (“ah, 75.4%… o cara deve ser bom em cálculo.. deve ser verdade”).
4) Principalmente em colonias subdesenvolvidas, como o Brasil, nomes “importados” ou termos difíceis  são mais convincentes do que os nacionais.  Em quem você tende a acreditar, no Dr. John Frishenbröger ou no fessô João da Silva Santos ?
5) Textos bombásticos são mais interessantes para a mente humana. Texto sobre humus produzido por minhocas cansadas não tem graça, mas algo que “afeta” o planeta, chama muito mais atenção.
6) Mesmo as verdades podem ser usadas para causar o efeito de uma mentira.
7) Citar vários detalhes sobre a pesquisa torna o assunto mais crível.
8) Fatos comprovados pela ‘maioria dos cientistas’…
9) Certos nomes “chave”, como “monóxido” soam “tóxicos”.

O texto acima foi obviamente inventado e exagerado, embora tenham verdades e pode ser desmacarado imediatamente com uma pequena pesquisa na internet, e em alguns casos apenas pensar um pouco. Exemplos:

1) “Clinical Institute of Enthero-Cerebral Anastomosis” não existe. O termo significa Instituto clinico de anastomose entero-cerebral, que é ligação entre o intestino e o cérebro. M… na cabeça.
2) “Massachussets Institute of Technology, em Cleveland” além de não existir, pode ‘soar estranho’ geograficamente.
3) Moses Horwitz e Lawrence Fine, mais conhecidos mundialmente como Moe Howard e Larry Fine, ou para os mais saudosos, dois dos Três Patetas.
4) Termos como “mais de 96.2%” ou “pelo menos 75.4%” não precisam comentários.
5)  O elemento químico mencionado é a “água”. As afirmações são verdadeiras, mas as conclusões, obviamente absurdas.

Ah, o título seria: “Me engana que eu gostcho”.

PS. O site http://dhmo.org é um site muito legal e bem feito sobre o Monóxido de Di-Hidrogênio e seus perigos (versão em português de Portugal, em http://modh.no.sapo.pt

Importante. Repasse para toda sua lista de endereços! 🙂

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Sobre Sergio Paulo Sider

Electronic Enginner, Microcontroller & Web-programming
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6 respostas para >Leia primeiro, o título vem depois

  1. Lucia disse:

    >Pena que os bichinhos morreram afogados no monóxido de dihidrogênio… Mesmo sendo ficção, vc pode dar idéia para os espíritos de porco.Aliás, vc na sua sabedoria, pode falar sobre os espíritos de porco. Tem alguma tira do Dilbert que verse sobre o assunto? Não esquece de explicar depois pois eu faço parte dos 57,8% da população que não entende estas piadas.

  2. Anonymous disse:

    >Maravilhoso!! Nunca vi tamanha sabedoria!

  3. Wanda disse:

    >Achei genial. Só podia vir desse amigo mesmo !

  4. Lucia disse:

    >esse anônimo é muito suspeito…

  5. Regina disse:

    >Este comentário descrito sobre o artigo que demonstrou cientificamente a toxicidade da H20 só poderia ter sido escrito por um ilustre Prof Dr Emeritus, obviamente de ascendência Leta!

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